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domingo, 4 de outubro de 2015

Os brasileiros não merecem

Por Suely Caldas, O Estado de S. Paulo, 04/10/15

É o ministério da mediocridade, zero de coerência com um projeto para o Brasil, zero de competência específica para os cargos, abaixo de zero em credibilidade. É coisa do passado escolher ministros com critérios de conhecimento específico, liderança em gestão e programa de ação para a pasta. Com a reforma ministerial, o governo virou um "salve Dilma", porque o único propósito é impedir o impeachment no Congresso - embora o PT saiba que só vai conseguir alongar a trágica agonia da presidente. Até quando?

O PT, ela e Lula (este como interventor) mediocrizaram e reduziram o País à Praça dos Três Poderes, em Brasília, deixando 200 milhões de brasileiros ao relento, desabrigados, sem horizonte, sem esperança, vivendo as situações do desemprego, que dispara, dos salários que encurtam e da inflação, que confisca o dinheiro das famílias. Demitir da Educação o professor Renato Janine Ribeiro, único ministro com planos para melhorar a sua área, deixa vazio, sem sentido e desmoralizado o slogan Pátria Educadora. Melhor tirá-lo do ar.

Tudo isso por causa de governos desastrados do PT, que brincaram de governar, exorbitaram em gastos públicos e foram desmoralizados com a corrupção. Seu único projeto para o País foi tão somente se perpetuar no poder. E para quê? Eles também não sabem. Até na área social o populismo desarvorado, combinado com a gestão autocrática e incompetente do dinheiro público, minou os feitos de Lula e Dilma e tornou muito breve a alegria dos brasileiros que ascenderam à classe média, passaram a consumir bens, acreditaram que teriam emprego garantido no futuro e, agora, veem desaparecer tudo o que conquistaram.

Pesquisa recente do Ibope confirma o divórcio entre a presidente e a população. Com menos de um ano de reeleita, Dilma hoje é reprovada por 82% dos brasileiros e sua popularidade está em 10%, a mais baixa da história republicana. Em ritmo tão acelerado, essa distância foi se alongando à medida que os eleitores que nela votaram (de todas as faixas sociais) descobriram suas mentiras, que os iludiram na campanha eleitoral, e hoje se sentem traídos.

Não prospera e nada constrói um governo sem credibilidade. E Dilma, PT e Lula perderam a confiança dos brasileiros - ricos e pobres, empresários e trabalhadores, investidores e operários, jovens e idosos. A reforma ministerial, por sua vez, foi um golpe mortal naqueles que ainda acreditavam, sem nenhum interesse. Restaram a ela as lideranças (sem apoio dos representados) de movimentos sociais comprados com generosas verbas do governo nos últimos anos.

Só que, agora, o dinheiro sumiu, a fonte secou e eles começam a abandonar o barco, como os sem-teto acabam de anunciar. O mais triste e lamentável desses movimentos é a União Nacional dos Estudantes, a famosa UNE, com uma memorável história de lutas e liderança, hoje rebaixada ao clube dos pelegos e rejeitada pela grande maioria de jovens estudantes.

Neste movimento de desconstrução, a crise política segue piorando e devorando qualquer esperança de recuperar a economia. Nos últimos dias, o governo divulgou uma coleção de más notícias, que espicham o túnel escuro sem fim e sem luz: o ajuste fiscal fracassa e o governo central acumulou déficit de R$ 14 bilhões até agosto; a taxa de desemprego bate recorde, saltando para 8,6% até julho e elevando para 8,6 milhões a população desempregada no País; com 27 empresas na fila, governo só libera verba do Programa de Proteção ao Emprego para 6 empresas; entre 140 países pesquisados, em um ano o Brasil perdeu 18 posições no ranking mundial de competitividade, recuando para o 75.º lugar; e, sem subsídios tributários, a venda de carros novos vai cair 24% este ano. De positivo, só os números do setor externo, alimentados pela desvalorização do real, que incentiva a entrada e inibe a saída de dólares, mas causa enorme estrago para a inflação e a alta dos preços.

Francamente, não será com ministros que só querem extrair vantagens para seus partidos ou redução de 10% em seus salários que Dilma vai recuperar a economia e a confiança do Brasil.

* Suely Caldas é jornalista e professora da PUC-Rio. E-mail: sucaldas@terra.com.br

domingo, 12 de outubro de 2014

Civilizar é preciso.

por Dora Kramer
Estadão/ Política  12/10/2104 

Não é bem verdade que o eleitor goste de debates programáticos. Depende dos debates e dos programas. Se for aquela coisa repetitiva sobre números que ninguém confere e questões fora do alcance dos comuns, realmente a coisa fica maçante. Despertam mais atenção desempenhos de nanicos histriônicos ou de candidatos que, livres das armaduras dos marqueteiros, falam a linguagem normal das pessoas.
Mas se for um bom embate conduzido por quem entende do riscado e não se deixa levar por truques nem se satisfaz com perguntas sem respostas, aí há uma chance de se substituir comparações estéreis entre governos passados, bate-bocas grosseiros e manipulações toscas por um confronto produtivo capaz de levar o eleitor a se decidir pelo melhor. Isso inclui não apenas os candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves, mas também seus apoiadores de maior visibilidade e experiência de governo comprovada. No caso presente há dois ex-presidentes da República no jogo.
Seria de todo útil, por exemplo, se Luiz Inácio da Silva e Fernando Henrique Cardoso aceitassem trocar algo mais que ironias por intermédio da imprensa. Poderiam se sentar frente a frente e abordar todos os temas pertinentes ao interesse nacional. Uma discussão mais elevada e politizada que essa posta a partir da distorção que Lula fez de uma fala de FH.
O tucano externou uma constatação sobre o mapa do resultado do primeiro turno dizendo que o PT cresceu nos grotões onde se concentra o eleitorado com menos escolaridade e menor renda. O petista reagiu dizendo que o adversário havia qualificado os nordestinos como ignorantes e desinformados.
Na tréplica, Fernando Henrique apontou que Lula estava querendo transformar uma categoria do IBGE em insulto e que "daqui a pouco só será ouvido em programas humorísticos". FH fez sociologia onde caberia um pouco mais de prudência política e Lula exercitou sua arte de se apropriar da palavra do outro para criar antagonismos ao seu gosto.
Agora são os pobres e os nordestinos. Como se não houvesse pobres e nordestinos em São Paulo, onde o PT colheu seu mais retumbante fracasso. O partido pôs o mote do preconceito na mesa e saiu acusando o oponente de ser preconceituoso. Estabelece a divisão para em seguida dizer que o adversário quer dividir o País.
O truque é tão ultrapassado e deletério quanto as carcomidas práticas da "velha política" da qual faz parte a manipulação marqueteira que explora dicotomias como essas de pobres contra ricos, sudeste contra nordeste, escolarizados contra iletrados e por aí afora.
Nessa eleição, o que o PT não quer discutir é o fato notório de que a maior parte de seu eleitorado é de dependentes de programas assistenciais. Isso leva o partido a ter clientela e, portanto, à necessidade de mantê-la fiel, necessitada e agradecida.
Na reforma da política caberia um item indispensável: o início do processo civilizatório das campanhas eleitorais. Não precisam ser maçantes, exclusivamente programáticas. Elas podem ser emocionantes, incluir ataques e atacantes. Não necessariamente primitivos e trapaceiros.
Valor do passe. Marina saiu da eleição, mas a eleição não saiu de Marina, como se vê pelas exigências a conta-gotas para apoiar o tucano Aécio Neves. Dá a impressão de querer prolongar os momentos de protagonista vividos no primeiro turno.
Quanto mais o tempo passa, menos valorizado fica o apoio de Marina, uma vez que o eleitorado, conforme demonstram as primeiras pesquisas, já vai se definindo independentemente da posição dos partidos e dos políticos. De ávido por uma palavra da ex-senadora no início da semana passada, o tucano chegou à sexta-feira dizendo que ela ficasse à vontade quanto ao momento e a conveniência de se definir.
Observação  Marina Silva declarou o seu apoio a Aécio Neves, há uma hora.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dilma consegue o inédito: a possibilidade de reeleição é que é vista como risco de instabilidade

10/07/2014
 às 22:42 Veja.com

Dilma Roussef (Foto reprodução/ Internet)

Por Reinaldo Azevedo

A presidente Dilma Rousseff (PT) está logrando um feito verdadeiramente inédito. Nunca antes na história deste país, a possibilidade de reeleição do governo de turno gerou turbulências no mercado. Acontecia justamente o contrário: era a perspectiva de mudança que gerava intranquilidade. Negociantes, no melhor sentido da palavra, aceitam correr riscos, sim. Mas gostam de regras — e de regras conhecidas. A suspeita de que qualquer coisa pode acontecer e de que tudo é possível tem preço — para baixo.

Em 1994 e 1998, quem despertava temores no mercado era o PT de Lula, que perdeu as duas disputas no primeiro turno. A reeleição das forças governistas representava estabilidade. Em 2002, a possibilidade de o petista vencer a disputa custou caro ao país. A especulação passou a comer solta, a inflação disparou, e o país teve de recorrer ao FMI — uma solução negociada com os companheiros, diga-se. Por quê?
Mesmo com a “Carta ao Povo Brasileiro”, em que o partido prometia seguir as regras de mercado, respeitar contratos e não dar calote em ninguém, havia uma grande e justificada desconfiança. Afinal, o PT passara 21 anos prometendo intervir na economia com mão forte — e não se descartava calote por lá nem da dívida interna nem da externa. Antonio Palocci se encarregou de evidenciar, no primeiro ano de sua gestão, que aquela conversão à realidade era para valer. A tensão passou.
Nas eleições de 2006 e 2010, esse era um não assunto. Vencesse Dilma, Alckmin ou Serra, ninguém antevia grandes problemas pela frente. Aliás, se vocês recuperarem o noticiário da disputa em 2010, encontrarão alguns cretinos, fingindo-se de fundamentalistas de mercado, mas atuando como esbirros do PT, a falar, creiam, de um tal “risco Serra”.
Ou por outra: nas disputas de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, o governismo nunca foi encarado como risco pelo mercado. Ela era sempre a solução — porque, reitero, os agentes econômicos preferem a certeza de turbulência às incertezas da escuridão.
Nesta quinta, acreditem, o mercado reagiu bem à derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha por 7 a 1 porque considerou que isso eleva a possibilidade de Dilma perder a eleição. A Bolsa no Brasil se descolou do mercado internacional, que teve um mau dia: no fim da sessão, o Ibovespa fechou em alta de 1,79%, aos 54.592,75 pontos, maior patamar desde 20 de junho (54.638,19 pontos).
E olhem que o Ibovespa resistiu até a indicadores ruins. Segundo o IBGE, a produção industrial recuou em sete dos 14 locais pesquisados de abril para maio. Os destaques foram as retrações verificadas no Amazonas (-9,7%), Bahia (-6,8%) e Região Nordeste (-4,5%).
Nunca antes na história “destepaiz”, a possibilidade de reeleição do governo foi encarada como um risco.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ministro Fischer convida presidenta Dilma para a posse

O presidente eleito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Felix Fischer, entregou na tarde desta quinta-feira (2) à presidenta da República, Dilma Rousseff, o convite oficial para sua posse na direção do Tribunal, marcada para 31 de agosto.

Além da presidenta, foram convidados na ocasião o ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, e a ministra Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil. Na audiência realizada no Palácio do Planalto, Fischer foi acompanhado pelo seu futuro vice, ministro Gilson Dipp.

O ministro Felix Fischer tem 64 anos e foi eleito para presidir o STJ e o Conselho da Justiça Federal no biênio 2012-2014. Já o ministro Gilson Dipp tem 67 anos e também atua no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é vice-diretor da Enfam e coordena a Comissão da Verdade.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Entidades criticam declaração de Dilma sobre tortura em delegacias

Na Folha Online. Volto em seguida.
Entidades de direitos humanos divulgaram nesta quarta-feira (11) nota de repúdio à declaração da presidente Dilma Rousseff sobre tortura em delegacias. Ontem, durante sessão de perguntas feitas pela plateia na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Dilma disse que não tinha como “impedir em todas as delegacias do Brasil de haver tortura”. A nota, assinada por dez organizações, pede uma declaração explícita da presidente de que não tolerará a tortura e empenhará todos os esforços para combatê-la.
“A declaração de Dilma –ela mesma ex-presa política e vítima de tortura– é inadmissível sob qualquer circunstância, mas vem revestida de ainda maior gravidade porque ocorre num momento especialmente sensível. O país enfrenta hoje um debate acalorado sobre o estabelecimento da Comissão da Verdade, que conta com o apoio da presidente, para esclarecer crimes praticados durante a ditadura militar, incluindo o crime de tortura.”
(…)
ComentoSerei breve. Procurem no arquivo do blog a expressão “presos sem pedigree” (sem as aspas). Já escrevi aqui algumas vezes sobre o dar de ombros das autoridades brasileiras para a tortura de presos comuns no Brasil, o que é, obviamente, uma barbaridade. Ninguém está nem aí. São o que chamo “presos sem pedigree”, que não têm a marca da distinção ideológica.
Por Reinaldo Azevedo -Veja.com - 11/04/2012 às 18:58

Comentário Notícias Daqui e Dali: é difícil acreditar que a sra. presidente tenha sido torturada alguma vez em sua vida! Aliás, parece que ela e sua turma tem um pacto severo e fechado com a mentira!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Notícias selecionadas, confira!

Assim se comporta um intelectual do regime. Ou: Lula, “o guia genial” de um intelectual esquerdista no combate ao… Centrão! Ou: O nosso Máximo Gorki (Veja online)
Queridos, o texto é longo, sei. Hoje acordei disposto a ir fundo, hehe. Mas é um dos mais importantes publicados neste blog. Não por causa de fulano ou beltrano, mas por causa da desmontagem de uma tese politicamente vigarista, que, como diria Chico Jabuti, anda nas cabeças e nas bocas dos esquerdistas do complexo “UNICAMPUCUSP”, os justificadores intelectuais de uma doença política chamada “Luiz Inácio Lula da Silva”. É evidente que há bons pensadores na USP, PUC ou Unicamp. Tenho amigos nas três.9Reinaldo Azevedo)
Projeto aprovado no Senado dobra pena contra acoes de quadrilhas contra agentes públicos que combatem a criminalidade. (O Globo)
 Dilma quer evitar ideia de denuncismo após queda de 4º ministro (Folha). Em conversa com PSB, PDT e PC do B, Dilma Rousseff se esforçou para desfazer a percepção de que o Planalto estaria estimulando denúncias contra aliados, informa o "Painel", editado por Renata Lo Prete, publicado na edição desta quinta-feira da Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
 Bolivianos protestam contra estrada financiada pelo Brasil; assista ao vídeo (Folha). Milhares de pessoas na Bolívia começaram esta semana uma caminhada de 500 quilômetros contra a construção de uma rodovia que atravessa um parque indígena.
Os manifestantes reclamam que o projeto do governo de Evo Morales vai promover a colonização de terras ao redor da estrada, destruindo a biodiversidade local e a cultura de três etnias indígenas. Notícias Daqui e Dali: e nós brasileiros não fazemos nada! Nem mesmo contra os corruptos herdados do governo Lula!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Recebi por e-mail este artigo de Reinaldo Azevedo - Revista Veja

Dilma Rousseff: Lição de moral sobre 100 mil cadáveres 27/04/2009

Este autor concorda com o uso dos seus textos, desde que informem a autoria e o local da divulgação.

NÃO SE DÁ LIÇÃO DE MORAL DISCURSANDO SOBRE
100 MIL CADÁVERES


Reinaldo Azevedo (Revista Veja)


"A minha situação fica bastante desagradável para aqueles que defendem que houve ditadura branda no Brasil ou que no Brasil havia uma regularidade, naquele período, democrática. Nem uma coisa nem outra. Naquela época se torturava, se matou, se prendeu".

"Muitas vezes as pessoas eram perseguidas e mortas... E presas por crime de opinião e de organização, não necessariamente por ações armadas. O meu caso não é de ação armada. O meu caso foi de crime de organização e de opinião, que é, vamos dizer assim, a excrescência das excrescências da ditadura".

As duas falas acima são da ministra Dilma Rousseff, na sexta passada. Reclamava da publicação de um documento, na Folha, no último dia 5, referente à sua prisão. Segundo a ministra, a ficha em que ela aparece qualificada como "terrorista/assaltante de bancos" e na qual consta o carimbo "capturado" é falsa. Muito bem. Dilma tem o direito apenas às fichas verdadeiras. E nós também.

A Folha já se redimiu, e mais de uma vez, do emprego da palavra "ditabranda" para designar o regime militar. Ok. Ocorre que o reconhecimento da impropriedade do termo se deu no ambiente turvado pela mistificação das esquerdas. E, em vez de clareza, fez-se mais confusão. A confusão que permite à ministra Dilma Rousseff posar de mártir da democracia, o que ele nunca foi. Relembro: recorreu-se ao termo "ditabranda" para relevar o fato de que algumas das formalidades do regime democrático foram mantidas no país - e tal reconhecimento não isenta o regime de seus crimes. Mas está posto que não se viveu no Brasil uma ditadura similar, por exemplo, à cubana, tão admirada e incensada pelas esquerdas brasileiras, incluindo aquelas que lastimam o emprego da palavra "ditabranda". Com efeito, da ditadura dos Castros, em Cuba, pode-se dizer tudo, menos que tenha sido ou seja "branda". Mas Lula, os petistas e outras correntes de esquerda não vêem mal nenhum em se colocar como propagandistas do regime.

Dilma Rousseff queria uma ditadura comunista no país de modelo soviético. Era essa a utopia do Colina (Comando de Libertação Nacional), que depois se fundiu à VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) parar formar a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares), um dos grupos terroristas mais virulentos que houve no país, com várias mortes e atentados nas costas - e, que se note, o grupo não via mal nenhum em matar gente sem qualquer ligação com a luta política. Afinal, eles queriam a "libertação nacional", né?

Que importância tem isso? A importância que tem a verdade. Se o passado de Dilma não é definidor de suas escolhas presentes, então não precisa haver mentiras sobre a sua história.

- não, não queria democracia; queria ditadura comunista;

- não, não lutava "pela liberdade; lutava para implantar o socialismo;

- não, não foi presa por crime de opinião; foi presa porque pertencia a um grupo que praticou uma série de atentados, com várias mortes.

O fato de que se opunha a uma ditadura não quer dizer que fizesse as melhores escolhas. Nem tudo o que o que não era a ditadura militar prestava. Nem todos os métodos empregados para derrubá-la eram bons. Até porque a opção de muitas correntes da extrema esquerda pela luta armada antecede o golpe militar de 1964 e, evidentemente, o recrudescimento do regime, em 1968. Inventou-se a falácia, desmentida pelos fatos, de que não teria havido guerrilha e terrorismo sem a decretação do AI-5. Mentira. Mentira das mais grotescas.

Quem mente de forma tão descarada sobre o seu passado e o passado do país pode estar disposto a permanecer no terreno da mistificação também no presente. É evidente que Dilma e outros esquerdistas estão tentando magnificar uma coisa sem importância - o emprego da tal palavra "ditabranda" - para tentar, vamos dizer, "enquadrar" a Folha de S. Paulo. É uma regra de ouro da política e dos políticos de esquerda: "saia gritando que este e aquele veículos discriminam o candidato e o partido, e eles tenderão a fazer alguma forma de compensação":

a) moderar na crítica;

b) bater também no adversário daquele que bota a boca no trombone para evidenciar imparcialidade;

c) deixar de lado o assunto que gerou a polêmica.

Sabem o que é pior? Isso costuma funcionar. O PT já percebeu. E age de modo preventivo. Assim que uma reportagem que não é de seu agrado é publicada, imediatamente se lança no ar a suspeita de uma conspiração. Um exército treinado passa a patrulhar o ombudsman. O trabalho, hoje em dia, é facilitado pela canalha oficialista na Internet, gente que escreve descaradamente a soldo. Até funcionário capacho da Lula News entra na jogada.

O Brasil tem hoje 180 milhões de habitantes. Cuba tem 11 milhões. Ao longo de 21 anos de ditadura, as próprias esquerdas admitem que morreram, no Brasil, no máximo, 424 pessoas - e os números são, diria, alargados: estão aí os guerrilheiros do Araguaia, os que morreram nas cidades com armas na mão e até alguns desaparecidos em razão de causas supostamente políticas, sem comprovação no entanto. Tudo bem: tomemos o número pelo teto. Em Cuba, que tem 1/16 da população do Brasil, o regime dos Castros fez 100 mil mortos. Como não dá para saber exatamente qual era a população de cada país no momento das mortes, faço as contas segundo os números atuais: no Brasil, morreu 0,23 pessoa por grupo de 100 mil habitantes. Na Cuba de Fidel, há 909 cadáveres por grupo de 100 mil. Sabem o que isso significa? Que o Coma Andante e o anão de circo que o sucedeu são 3.951 vezes mais assassinos do que os ditadores brasileiros. Se quiserem considerar os quase 2 milhões de cubanos no exílio, ok. Aí a dupla é apenas 3.342 vezes mais homicida dos que os nossos brutamontes. "Ah, mas a nossa ditadura durou 21 anos, e a de Cuba, já tem 50". É verdade. A média de mortes, por ano de ditadura, no Brasil, seria de 20,1 pessoas; na ilha, de 2 mil.

Sem esses números não dá para discutir nem ditabranda nem ditadura. Sem esses números, o que sobra é mistificação. Dilma Rousseff diga o que quiser. Só não pode fazer de conta que sempre foi uma amante da democracia. Dado o comportamento do Brasil em relação ao regime cubano, essa gente não entende o paradigma democrático nem hoje em dia.

E
já que a gente tem de dizer tudo sem medo de aborrecer, então vamos lá. Se a VAR-Palmares, de Dilma Rousseff, tivesse chegado ao poder, vocês acham que os mortos estariam mais para os 424 da ditadura brasileira ou para os 100 mil da cubana? Sempre lembrando que, na mesma proporção da ilha, os mortos brasileiros, sob o regime dos comunas, poderiam chegar a 1,5 milhão de pessoas. É matemática, não é ideologia.


"Ah, mas não dá para contar a história que não houve". Ok. Fiquemos, então, com a que houve. Os ditadores cubanos são 3.951 vezes mais homicidas do que os ditadores brasileiros. As esquerdas e o governo brasileiro, de que Dilma é a grande estrela, incensam os cubanos e detestam os brasileiros.

Para essa gente, o matar menos faz os bandidos; o matar muito faz os heróis.

PS: A canalha pode rosnar à vontade. Ou contesta a matemática dos homicídios ou vá para o diabo. Sempre lembrando que qualquer morte nos diminui. Sendo assim, 424 mortes nos diminuem 424 vezes. Cem mil mortes nos diminuem 100 mil vezes.

Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Combatemos dirigente público que age como privado, diz Dilma

Na opinião da ministra, segundo fontes, banco público perde razão de existir se parte para lucro real de 30%

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, da Agência Estado

BRASÍLIA - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta quarta-feira, 8, que o governo está combatendo dirigentes de bancos públicos que se comportam como presidentes de bancos privados. A declaração da ministra foi durante encontro com sindicalistas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao responder sobre a questão dos juros.

Na opinião dela, segundo relato de dois participantes, os bancos públicos perdem razão de existir se partem para lucros reais de 20% a 30%. "A lógica do banco público não deve ser a do banco privado", afirmou a ministra, de acordo com relato dos sindicalistas. Dilma coordenou parte da reunião, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atendia, por telefone, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

O governo anunciou nesta quarta a saída do presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a saída ocorreu a pedido do próprio executivo. Fontes, porém, afirmam que uma das razões seria a taxa de juros e spread bancário cobrados pela instituição. Fonte: Estadão Online