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domingo, 4 de outubro de 2015

Os brasileiros não merecem

Por Suely Caldas, O Estado de S. Paulo, 04/10/15

É o ministério da mediocridade, zero de coerência com um projeto para o Brasil, zero de competência específica para os cargos, abaixo de zero em credibilidade. É coisa do passado escolher ministros com critérios de conhecimento específico, liderança em gestão e programa de ação para a pasta. Com a reforma ministerial, o governo virou um "salve Dilma", porque o único propósito é impedir o impeachment no Congresso - embora o PT saiba que só vai conseguir alongar a trágica agonia da presidente. Até quando?

O PT, ela e Lula (este como interventor) mediocrizaram e reduziram o País à Praça dos Três Poderes, em Brasília, deixando 200 milhões de brasileiros ao relento, desabrigados, sem horizonte, sem esperança, vivendo as situações do desemprego, que dispara, dos salários que encurtam e da inflação, que confisca o dinheiro das famílias. Demitir da Educação o professor Renato Janine Ribeiro, único ministro com planos para melhorar a sua área, deixa vazio, sem sentido e desmoralizado o slogan Pátria Educadora. Melhor tirá-lo do ar.

Tudo isso por causa de governos desastrados do PT, que brincaram de governar, exorbitaram em gastos públicos e foram desmoralizados com a corrupção. Seu único projeto para o País foi tão somente se perpetuar no poder. E para quê? Eles também não sabem. Até na área social o populismo desarvorado, combinado com a gestão autocrática e incompetente do dinheiro público, minou os feitos de Lula e Dilma e tornou muito breve a alegria dos brasileiros que ascenderam à classe média, passaram a consumir bens, acreditaram que teriam emprego garantido no futuro e, agora, veem desaparecer tudo o que conquistaram.

Pesquisa recente do Ibope confirma o divórcio entre a presidente e a população. Com menos de um ano de reeleita, Dilma hoje é reprovada por 82% dos brasileiros e sua popularidade está em 10%, a mais baixa da história republicana. Em ritmo tão acelerado, essa distância foi se alongando à medida que os eleitores que nela votaram (de todas as faixas sociais) descobriram suas mentiras, que os iludiram na campanha eleitoral, e hoje se sentem traídos.

Não prospera e nada constrói um governo sem credibilidade. E Dilma, PT e Lula perderam a confiança dos brasileiros - ricos e pobres, empresários e trabalhadores, investidores e operários, jovens e idosos. A reforma ministerial, por sua vez, foi um golpe mortal naqueles que ainda acreditavam, sem nenhum interesse. Restaram a ela as lideranças (sem apoio dos representados) de movimentos sociais comprados com generosas verbas do governo nos últimos anos.

Só que, agora, o dinheiro sumiu, a fonte secou e eles começam a abandonar o barco, como os sem-teto acabam de anunciar. O mais triste e lamentável desses movimentos é a União Nacional dos Estudantes, a famosa UNE, com uma memorável história de lutas e liderança, hoje rebaixada ao clube dos pelegos e rejeitada pela grande maioria de jovens estudantes.

Neste movimento de desconstrução, a crise política segue piorando e devorando qualquer esperança de recuperar a economia. Nos últimos dias, o governo divulgou uma coleção de más notícias, que espicham o túnel escuro sem fim e sem luz: o ajuste fiscal fracassa e o governo central acumulou déficit de R$ 14 bilhões até agosto; a taxa de desemprego bate recorde, saltando para 8,6% até julho e elevando para 8,6 milhões a população desempregada no País; com 27 empresas na fila, governo só libera verba do Programa de Proteção ao Emprego para 6 empresas; entre 140 países pesquisados, em um ano o Brasil perdeu 18 posições no ranking mundial de competitividade, recuando para o 75.º lugar; e, sem subsídios tributários, a venda de carros novos vai cair 24% este ano. De positivo, só os números do setor externo, alimentados pela desvalorização do real, que incentiva a entrada e inibe a saída de dólares, mas causa enorme estrago para a inflação e a alta dos preços.

Francamente, não será com ministros que só querem extrair vantagens para seus partidos ou redução de 10% em seus salários que Dilma vai recuperar a economia e a confiança do Brasil.

* Suely Caldas é jornalista e professora da PUC-Rio. E-mail: sucaldas@terra.com.br

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Lula, o menino sem rosto ou Lula, o menino das muitas faces

Por Lorenzo Dumas

Lula: o menino sem rosto!
Texto sobre luz e sombra, sobre o bem e o mal, sobre o PT e o tempo que urge em nascer:

Aquela não foi uma trovoada comum. A Segunda Guerra Mundial acabara de chegar ao seu término, o tribunal de Nuremberg começava a se desenhar, Getúlio Vargas estava prestes a ser deposto pelo general Góes Monteiro, a criação do estado de Israel dividia a Palestina, e o mundo, essa ignóbil abstração que o ser humano transformou em purgatório, entrava em um longo período onde a Guerra Fria ditaria as regras da geopolítica no século XX.

Hoje, eu sei que aquela trovoada, que se perdeu nas veredas do ano de 1945, não dizia respeito à nenhuma dessas circunstâncias. Não dizia respeito nem ao roceiro Henry Truman que meses antes havia semeando duas bombas atômicas no coração da humanidade, nem ao fatídico destino de Josef Stalin, homem mais temido da época, que oito anos mais tarde sofreria um derrame e perderia a vida mergulhado em sua urina.

Tampouco foram os nascimentos de Neil Young e Eric Clapton, que também se deram naquele ano, a razão do sobrenatural que me acometera. Foi no interior de Pernambuco, no pequeno distrito de Caetés, que no dia 27 de outubro de 1945 nascia a causa do retumbante presságio que ecoou em minha consciência juvenil e que ainda hoje, no alto de meus 74 anos, me causa desagradáveis calafrios: o nascimento de Luís Inácio Lula da Silva.

Naquela noite fria de primavera, minha mãe me pôs para dormir e como eu relutava em cair no sono por estar certo de que havia um terrível desígnio que acabara de ser marcado em meu destino, pedi para que ela, mulher religiosa cuja certeza acerca da eternidade me concedia a ilusão de ser senhor de mim por ínfimos instantes, me contasse uma história que pudesse acalmar o meu temor desmedido. ‘’Sois um homem, imbecil! Comporte-se como tal!’’, me recordo de ter pensado instintivamente ao ver minha mãe cedendo ao meu capricho.

Mas como Marcel Proust em sua infância, eu também abdicava da minha dignidade, do meu amor-próprio de garoto, apenas para sentir o calor materno mais próximo: ‘’De tempos em tempos – disse-me ela, certa vez – assim como o céu, as trevas abrem as suas cancelas e enviam emissários para a terra. A luta entre o bem e o mal é a luta entre o esclarecimento e a ignorância; entre a generosidade e a ignomínia. É a luta que foi dos teus ancestrais e que será dos teus descendentes. É luta da tua vida que terás que desvendar. E a vida, meu filho, nada mais é do que luz e sombra. Para ser sábio é preciso ser bom e o mal, embora abominável, muitas vezes nos guia com eficiência para o caminho do bem. Só assim aprenderás a interpretar os sinais da vida. Isso que sentiste hoje foi um sinal. No final, Deus precisa mais da gente do que a gente precisa de Deus’’.

Por muito tempo essas palavras tomaram conta dos meus pensamentos. Embora eu não alcançasse a totalidade dos dizeres de minha mãe, havia algo em meu inconsciente que tocava nas profundezas daquela sabedoria sem que a minha razão tomasse conhecimento. O passar dos anos me trouxe maturidade. Me tornei menos impulsivo e mais observador; menos medroso e mais paciente. Havia quase esquecido o furor psicológico que aquela noite de 1945 tinha causado em meu íntimo, até que, em setembro de 1952, uma viagem a trabalho de meu pai, com destino a Governador Valadares, me trouxe aquele sentimento arrebatador de volta. Eu me encontrava no carro, observando a paisagem à medida que atravessávamos as precárias estradas mineiras, quando um pau de arara tomado pela miséria surgiu no horizonte e se aproximou em nossa direção.

O menino Lula surge, enfim: sem rosto

Me lembro dos mais de 30 retirantes espremidos entre a sobrevivência e a indignidade. Minha mãe fez o sinal da cruz; meu pai fez que não viu. Como íamos em direções diferentes, pude vê-los passando rente à minha janela. A miséria não mais invisível aos meus olhos me envergonhava. Nada desperta mais o pudor de uma criança do que a sorte miserável de um semelhante. E em uma miscelânea de sentimentos contraditórios que afloraram em minha alma, o olhar sinistro de um garoto que vestia trapos veio de encontro ao meu. Eu poderia jurar que aqueles olhos negros, vidrados, se avermelharam a tal ponto que eu já não poderia mais distinguir ao certo a realidade da fantasia. Ele sorriu em resposta à minha exasperação. Já não era então apenas um garoto. Era um homem sem rosto, sem feições, capaz de emprestar a si qualquer semblante humano. Em verdade, sequer era um homem: era o retrocesso histórico, um buraco negro do universo brasileiro que devoraria toda uma geração com a violência dos sem caráter. Anos mais tarde, eu viria a saber que aquele menino misterioso era Luís Inácio Lula da Silva. Ele havia saído do interior de Pernambuco num pau de arara com sua mãe e irmãos para se dirigir à São Paulo, onde o seu pai morava, e assim dar início à sua escalada ao poder. Jamais me esquecerei deste dia.

Chegar aos 74 anos no Brasil não é fácil, mas uma das benesses de se estar vivo há tanto tempo é que você deixa de criar expectativas com relação à humanidade e encara o pior não como um tormento, mas como uma necessidade histórica. A história é o fluxo inconsciente da humanidade e os mecanismos pelos quais os seus acontecimentos se dão estão fora da possibilidade de compreensão racional, ainda que o seu estudo, com efeito, permita uma compreensão mais ampla da vida. E embora sejam os acadêmicos aqueles que escrevem a história, são as inúmeras e insondáveis ocasiões e coincidências, jamais registradas, entre homens e circunstâncias, o que a define de fato. A história é o rastro do destino e nós, recitou Shakespeare, ''somos os bobos do tempo''.

Observando a chegada de Lula e sua corte ao poder, uma verdadeira comitiva do mal que sequestrou o país, percebo que minha mãe tinha razão quando disse que o mal muitas vezes nos guia com eficiência para o caminho do bem. É verdade que o país está aparelhado até a raiz pelo governo, com a miséria estrategicamente transformada em votos, e com comunistas pretendendo ser paladinos do capitalismo, mas é também verdade que nunca se viu uma época em que o brasileiro estivesse tão descontente com o arranjo das coisas. Logo o brasileiro, este ser historicamente atávico, conformado e acima de tudo desinformado, hoje não se conforma com as notícias que lê diariamente.

Se hoje a grei de Lula está no poder é para que nós entendamos que o PT é uma quadrilha que surrupia dinheiro, verdades, valores e direitos, dividindo a sociedade brasileira em guetos sociais para multiplicar o seu poder que é financiado pela farsa do assistencialismo. Se Dilma foi reeleita é porque assim deve ser para que a ilusão petista se desfaça por completo. Assim deve ser para que os cidadãos brasileiros comecem a perceber que os socialistas são essencialmente ladrões do bem alheio, que os conselhos populares são uma fraude populista, que as empresas estatais são colmeias de zangões estéreis que se lambuzam com o mel público e que assistencialismo é o voto de cabresto do século XXI. Afinal, prezado leitor que ainda me acompanha, o que poderia fazer o senador Aécio Neves em quatro anos senão pagar por uma dívida que ele não contraiu e, no fim, ser culpado por um crime que não cometeu? Mais quatro anos de Dilma Rousseff é tudo o que o Brasil precisa para que o PT se destrua por completo. Infelizmente, o país será igualmente arruinado, mas, como a fênix lendária, renascerá das cinzas e baterá as asas com a força de quem aprendeu com a sua própria história.

O Brasil está prestes a acordar de um pesadelo corrupto, que se prolonga desde a independência, e que atingiu o seu cume populista na última década e é graças ao menino sem rosto que cruzou o meu caminho há mais de 60 anos que o país vê uma possibilidade de se reencontrar consigo mesmo de uma vez por todas. É graças a ele que novamente sinto uma exasperação em minha alma, como as que me acometeram na juventude, onde um palpite instintivo me diz que não tardará para que o PT seja enviado para as sombras, junto do homem sem rosto, ao lado do seu séquito de farsantes, dando lugar à luz de um novo tempo que urge em nascer''.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Corruptos tentam banalizar a corrupção

Caro leitor, qual foi a última vez que você subornou um funcionário público para obter vantagens pessoais? Quando, nos últimos meses, você ofereceu propina para fechar negócios com estatais? Quantas vezes esse ano você fez acordos com doleiros para mandar dinheiro ilegal para fora do país? Nenhuma?
Então não caia nessa ladainha de que “todos fazem”, pois isso simplesmente não é verdade. A marca registrada do lulopetismo, além da magnitude nunca antes vista de corrupção, é sua insistência em nivelar sempre por baixo. A quem interessa acusar todos de safados, senão aos próprios safados? Somente um canalha alega que a canalhice é universal.
editorial do GLOBO de hoje está excelente e bate justamente nessa tecla. Primeiro, lembra que o PT não roubou “apenas”, e sim montou um esquema de desvios para seu projeto de poder. Segundo, rejeita a ideia de que isso é o que “todos fazem”, uma tentativa abjeta de banalizar as práticas mais nefastas de nossa democracia. Diz o jornal:
À luz do mensalão e, agora, do petrolão, pode-se dizer, dentro de uma perspectiva histórica, que não é por mera coincidência que, em doze anos de lulopetismo no Planalto, construiu-se o mais articulado e amplo esquema de corrupção na máquina pública de que se tem notícia, a fim de drenar dinheiro de estatais para financiar um projeto de poder.
[...]
Lulopetistas costumam defender o partido, desde a descoberta do mensalão, em 2005, com a surrada justificativa de que “todos fazem”. É a escapatória da banalização do crime, para tentar reduzir sua gravidade. A própria candidata Dilma Rousseff escorregou na campanha da reeleição ao dizer que há corruptos em todos os lugares. Fez lembrar o presidente Lula, na histórica entrevista em Paris, depois que o então aliado Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou o mensalão, quando afirmou que o PT fez o que todo partido fazia.
[...]
Pois agora, no petrolão, Mario Oliveira Filho, advogado de Fernando Soares, o “Fernando Baiano”, acusado de operar — verbo usado em sentido malicioso no submundo da política —na Petrobras, em nome do PMDB, segue na trilha da banalização e diz que não se consegue obra pública sem propinas. Tenta-se jogar areia nos olhos da opinião pública. Não há uma corrupção aceitável e outra reprovável. Há o crime de malversação do dinheiro público a ser investigado e punido. Os casos do mensalão e petrolão — delinquências de mesma célula-tronco — mostram um padrão de drenagem do dinheiro do contribuinte. São malhas tecidas entre partidos e políticos, estatais, empreiteiras, empresas públicas, sindicalistas e, conforme mostrou o GLOBO no fim de semana, fundos de pensão de empresas públicas, tudo numa dimensão jamais vista no submundo da política brasileira, tendo como objetivo estratégico um projeto de perpetuação no poder. É claro, com os inexoráveis desvios feitos para enriquecimento particular. Afinal, a carne é fraca.
O que o PT e seus comparsas fizeram foi ameaçar o nosso estado democrático de direito, numa tentativa sórdida de se comprar o Legislativo para governar somente do Executivo, com votos obtidos por medidas populistas. Ou seja, um projeto demagogo e autoritário típico do chavismo, que ainda deixou um rastro de milionários corruptos no caminho.
Aceitar que isso é algo que “todos fazem” é absurdo! Como se não bastasse o estrago feito em nossas instituições e nossa economia com essa roubalheira toda, o PT causa estrago ainda maior em nossos valores éticos e morais, ao realizar uma campanha ridícula de banalização da corrupção. Como se o Brasil todo fosse formado por quadrilheiros! Como se fosse a coisa mais normal do mundo aparelhar estatais com uma máfia para desvio de recursos!
Sorte nossa que ainda temos instituições republicanas independentes funcionando com vigor. Era o que os mafiosos não esperavam. E o que pode nos salvar deles…
Rodrigo Constantino

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Lambanças da Marquesa de Garanhums

Em nome da Rose

(*) Maria Lucia Victor Barbosa

O julgamento do mensalão trouxe para surpresa de muitos, algo surpreendente: pela primeira vez mandachuvas foram condenados. Mais impressionante estar entre eles José Dirceu, o “capitão do time” no primeiro mandado de Lula da Silva e que mesmo tendo perdido o cargo e depois o mandato de deputado federal, graças a Roberto Jefferson, continuou a dispor de enorme poder de mando dentro e fora do PT.
Esse acontecimento inédito se deveu ao relator, ministro Joaquim Barbosa, o que lhe granjeou admiração e respeito de parte da sociedade. Ele foi seguido pela maioria de seus pares, com exceção dos ministros Lewandowski e Toffoli que atuaram como advogados de defesa dos companheiros do PT. Não se pode também deixar de mencionar a atuação firme corajosa do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que se tornou alvo da sanha vingativa do PT.
Com relação ao ministro Joaquim Barbosa se pode imaginar a profunda dor que seu prestígio causou a Lula da Silva. Não só porque ele se sentiu traído, visto que havia nomeado o ministro e pensava que o STF era mais uma de suas capitanias hereditárias, mas, principalmente, porque o descomunal ego do ex-presidente deve ter sido tremendamente abalado diante de alguém que lhe fez sombra entre cidadão esclarecidos.
Como no conto infantil Lula deve ter perguntado ao espelho mágico: “Espelho meu, existe no momento homem mais querido do que eu”? E o espelho respondeu: “Sim, majestade, o ministro Joaquim Barbosa”.
Para ser como gosto, politicamente incorreta, traço um paralelo entre Lula da Silva e o ministro Joaquim Barbosa, completamente diferentes em termos de caráter, sendo sua única semelhança a origem humilde:
Lula da Silva fez questão de continuar iletrado e é um velhaco que tudo conseguiu apenas com muita sorte e lábia. Joaquim Barbosa estudou, trabalhou e se tornou o homem honrado e competente que conseguiu salvar o STF das garras da quadrilha enquistada no Executivo pelo PT. Com relação ao primeiro me envergonho de ser brasileira. O segundo me inspira justo orgulho pelo meu país.
É vergonhoso, por exemplo, observar que o governo foi de tal modo loteado e corrompido por Lula da Silva, via seu então primeiro-ministro, José Dirceu, que volta e meia explode mais um tremendo escândalo de dimensões nunca antes havidas nesse país. Como disse jocosamente José Simão, colunista da Folha de S. Paulo, “escândalo no PT é como caixa de lenços de papel: você puxa um e vem logo três”. “Você nunca consegue puxar um só”.
Assim, enquanto o julgamento vai terminando vem à tona o caso de Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, um cabide de emprego e um gabinete das sombras de onde Lula exercia comodamente seu terceiro mandato sem precisar ir à Brasília.
A bancária e sindicalista, Rose, também de muita sorte, trabalhou durante doze anos com o chefe da quadrilha do mensalão, José Dirceu. Neste período, como indica a Operação Porto Seguro da Polícia federal, ela fez um curso completo, com mestrado e doutorado na arte de obter vantagens e indicar trambiqueiros, falsificadores, achacadores, vendedores de facilidades, enfim, companheiros corruptos que passaram a ocupar altos cargos. Nada, porém, Rosemary conseguiria se não fosse sua intimidade com aquele a quem chamava carinhosamente de tio, de Luiz Inácio, de PR.
Em nome da Rose as portas se abriam, não tanto pela “madame”, mas por ordem do “tio” sempre solícito em atender aos pedidos de sua Marquesa de Garanhuns. Os jornais e revistas estão cheios de detalhes das tramoias, das fraudes, das negociatas da Marquesa e de seus protegidos e seria repetitivo enumerá-las. Ressalve-se, porem, a sordidez a que chegaram os labirintos escuros e tortuosos da administração publica.
Lula da Silva anda desaparecido, mas mandou dizer que o seu caso com Rose é assunto particular. Deve até se sentir orgulhoso e se comparar a presidentes que também tiveram amantes. Mas, ao que se sabe, outros presidentes não nomearam nem acobertaram corruptos para satisfazer os desejos de suas outras mulheres.
Se o caso fosse apenas particular Lula poderia ter presenteado Rose com joias caras, carros de luxo, apartamentos suntuosos. Afinal, o “pobre operário” deve estar podendo bancar tudo isso. Mas preferiu mandar a conta para o povo, pois quem paga a corrupção governamental somos nós.
Enquanto não acontece outro escândalo petista um fato importantíssimo não tem tido a relevância que merece. Refiro-me ao fracasso da expansão econômica. A previsão de um PIB, em 2012, que talvez não chegue a 1%, nos coloca de novo na rabeira dos Brics e configura o biênio perdido de Dilma Rousseff. O governo camufla a inflação, altera os dados, falsifica as informações. Inutilmente, pois a realidade acontece, independente da propaganda. E como é pesada a herança maldita de Lula da Silva e de sua sucessora, Dilma Rousseff.
(*) Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Para o PT a história se repete

MARCO ANTONIO VILLA

Uma nova operação da Polícia Federal atingiu o Partido dos Trabalhadores. Não é a primeira vez. Mesmo com todo o estardalhaço causado pelo julgamento do mensalão, parece que nada detém a ânsia de saquear o Erário. Agora, uma das acusadas é a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, que teria negociado pareceres técnicos fraudulentos.
 
Os agentes da PF foram ao escritório chefiado por Rosemary para a devida busca e apreensão de documentos. Indignada, a funcionária não fez o que seria considerado plausível: entrar em contato com seu advogado. Não. Buscou algo superior: o sentenciado José Dirceu. Isto mesmo, leitor.
 Leia mais.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Adeus, Lula!

Política

Adeus, Lula, por Marco Antonio Villa

Marco Antonio Villa, O Globo
A presença constante no noticiário de Luís Inácio Lula da Silva impõe a discussão sobre o papel que deveriam desempenhar os ex-presidentes. A democracia brasileira é muito jovem. Ainda não sabemos o que fazer institucionalmente com um ex-presidente.
Dos quatros que estão vivos, somente um não tem participação política mais ativa. O ideal seria que após o mandato cada um fosse cuidar do seu legado. Também poderia fazer parte do Conselho da República, que foi criado pela Constituição de 1988, mas que foi abandonado pelos governos — e, por estranho que pareça, sem que ninguém reclamasse.
Exercer tão alto cargo é o ápice da carreira de qualquer brasileiro. Continuar na arena política diminui a sua importância histórica — mesmo sabendo que alguns têm estatura bem diminuta, como José Ribamar da Costa, vulgo José Sarney, ou Fernando Collor.
No caso de Lula, o que chama a atenção é que ele não deseja simplesmente estar participando da política, o que já seria ruim. Não. Ele quer ser o dirigente máximo, uma espécie de guia genial dos povos do século XXI. É um misto de Moisés e Stalin, sem que tenhamos nenhum Mar Vermelho para atravessar e muito menos vivamos sob um regime totalitário.
As reuniões nestes quase dois anos com a presidente Dilma Rousseff são, no mínimo, constrangedoras. Lula fez questão de publicizar ao máximo todos os encontros. É um claro sinal de interferência.
E Dilma? Aceita passivamente o jugo do seu criador. Os últimos acontecimentos envolvendo as eleições municipais e o julgamento do mensalão reforçam a tese de que o PT criou a presidência dupla: um, fica no Palácio do Planalto para despachar o expediente e cuidar da máquina administrativa, funções que Dilma já desempenhava quando era responsável pela Casa Civil; outro, permanece em São Bernardo do Campo, onde passa os dias dedicado ao que gosta, às articulações políticas, e agindo como se ainda estivesse no pleno gozo do cargo de presidente da República.
Lula ainda não percebeu que a presença constante no cotidiano político está, rapidamente, desgastando o seu capital político. Até seus aliados já estão cansados. Deve ser duro ter de achar graça das mesmas metáforas, das piadas chulas, dos exemplos grotescos, da fala desconexa.
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mensalão: O assunto do momento. STF sob admiração e aplausos do povo

23/09/2012
às 21:36 \ Feira Livre

‘Só com censura’, por J.R. Guzzo

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE VEJA DESTA SEMANA
J.R. GUZZO
Para o seu próprio sossego pessoal, o ex-presidente Lula, seus fãs mais extremados e os chefes do PT deveriam pôr na cabeça, o mais rápido possível, um fato que está acima de qualquer discussão: só existe um meio que realmente funciona, não mais que um, para governos mandarem na imprensa, e esse meio se chama censura. Infelizmente para todos eles, essa é uma arma de uso privativo das ditaduras — e nem Lula, nem o PT, nem os “movimentos sociais” que imaginam comandar têm qualquer possibilidade concreta de criar uma ditadura no Brasil de hoje. Podem, no fundo da alma, namorar a ideia. Mas não podem, na vida real, casar com ela. Só perdem seu tempo, portanto, e se estressam à toa quando ficam falando que a mídia brasileira é um lixo a serviço das “elites”; há dez anos não mudam de ideia e não mudam de assunto. Bobagem. O que querem mesmo é impedir que esta revista, por exemplo, publique reportagens como a matéria de capa de sua última edição, com as declarações de Marcos Valério sobre o envolvimento direto de Lula no mensalão. Ficam quietos porque têm medo de que sejam publicadas as fitas gravadas com tudo aquilo que ele disse, e as coisas piorem ainda mais. Mas o seu único objetivo real é este: eliminar as informações que desejam esconder. Clique a qui para continuar a leitura.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lula, filho do Brasil...

por Leonardo Attuch da Revista Isto É

Na semana passada, a alta corte se reuniu em Brasília. Mais de 1,4 mil pessoas lotaram o Teatro Nacional para assistir à pré-estréia do filme "Lula, o Filho do Brasil". Nos círculos do poder, onde o puxa-saquismo faz parte da etiqueta social e é instrumento de ascensão profissional, compreende-se que algumas pessoas tenham sentado nas escadarias e se dependurado nos lustres do teatro. Mas quando a produção chegar às salas de cinema, dificilmente terá a mesma recepção. E talvez entre para a história como o filme de expectativas mais infladas já rodado no País - e também o que menos correspondeu a elas.

Por mais que Lula seja "o cara" e mereça a popularidade que tem, existem razões filosóficas, estéticas e morais para não se assistir ao filme. A principal: é simplesmente indecoroso que o produtor Luiz Carlos Barreto tenha rodado sua sacolinha no auge do poder petista. Com cerca de R$ 16 milhões arrecadados, ele conseguiu produzir a película mais cara da história do cinema nacional. Eike Batista, aquele que queria um empurrão do Planalto para ficar com a Vale, deu R$ 1 milhão. A Camargo Corrêa, que depois de uma operação da Polícia Federal foi socorrida pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, por sugestão direta do presidente, também entrou no consórcio, assim como duas outras empreiteiras. E a Oi, que ganhou uma lei sob medida na telefonia, também está no time dos patrocinadores. Por isso, é até risivel o comentário do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que, na pré-estréia, indagou: "Por que a oposição não arruma alguém para fazer um filme também?" Ora, simplesmente porque não tem a chave do cofre, nem a chave da cadeia - e talvez porque tenha algum decoro.

Se isso não bastasse, o principal ingrediente do filme parece ser o sentimentalismo barato daquelas produções "feitas para chorar". A história de um herói improvável que supera dificuldades e chega ao cume da glória, carregado pelo povo. Na linha do indiano "Quem quer ser um milionário?", o nosso poderia se chamar "Quem quer ser um presidente?". Só que a arte de Lula sempre foi o de transformar adversidades, como a origem humilde e a falta de diploma, em vantagens comparativas no jogo da competição política. Numa sociedade tão desigual e culpada como a brasileira, nada disso foi obstáculo ao seu sucesso - e talvez tenha até ajudado. Por tudo isso, e pelo simples fato de que teria sido mais decente esperar o fim da era Lula para rodar o filme, a produção da família Barreto não vale o ingresso, nem a pipoca.

Jornalista Leonardo Attuch attuch@istoe.com.br

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Recebi por e-mail este artigo de Reinaldo Azevedo - Revista Veja

Dilma Rousseff: Lição de moral sobre 100 mil cadáveres 27/04/2009

Este autor concorda com o uso dos seus textos, desde que informem a autoria e o local da divulgação.

NÃO SE DÁ LIÇÃO DE MORAL DISCURSANDO SOBRE
100 MIL CADÁVERES


Reinaldo Azevedo (Revista Veja)


"A minha situação fica bastante desagradável para aqueles que defendem que houve ditadura branda no Brasil ou que no Brasil havia uma regularidade, naquele período, democrática. Nem uma coisa nem outra. Naquela época se torturava, se matou, se prendeu".

"Muitas vezes as pessoas eram perseguidas e mortas... E presas por crime de opinião e de organização, não necessariamente por ações armadas. O meu caso não é de ação armada. O meu caso foi de crime de organização e de opinião, que é, vamos dizer assim, a excrescência das excrescências da ditadura".

As duas falas acima são da ministra Dilma Rousseff, na sexta passada. Reclamava da publicação de um documento, na Folha, no último dia 5, referente à sua prisão. Segundo a ministra, a ficha em que ela aparece qualificada como "terrorista/assaltante de bancos" e na qual consta o carimbo "capturado" é falsa. Muito bem. Dilma tem o direito apenas às fichas verdadeiras. E nós também.

A Folha já se redimiu, e mais de uma vez, do emprego da palavra "ditabranda" para designar o regime militar. Ok. Ocorre que o reconhecimento da impropriedade do termo se deu no ambiente turvado pela mistificação das esquerdas. E, em vez de clareza, fez-se mais confusão. A confusão que permite à ministra Dilma Rousseff posar de mártir da democracia, o que ele nunca foi. Relembro: recorreu-se ao termo "ditabranda" para relevar o fato de que algumas das formalidades do regime democrático foram mantidas no país - e tal reconhecimento não isenta o regime de seus crimes. Mas está posto que não se viveu no Brasil uma ditadura similar, por exemplo, à cubana, tão admirada e incensada pelas esquerdas brasileiras, incluindo aquelas que lastimam o emprego da palavra "ditabranda". Com efeito, da ditadura dos Castros, em Cuba, pode-se dizer tudo, menos que tenha sido ou seja "branda". Mas Lula, os petistas e outras correntes de esquerda não vêem mal nenhum em se colocar como propagandistas do regime.

Dilma Rousseff queria uma ditadura comunista no país de modelo soviético. Era essa a utopia do Colina (Comando de Libertação Nacional), que depois se fundiu à VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) parar formar a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares), um dos grupos terroristas mais virulentos que houve no país, com várias mortes e atentados nas costas - e, que se note, o grupo não via mal nenhum em matar gente sem qualquer ligação com a luta política. Afinal, eles queriam a "libertação nacional", né?

Que importância tem isso? A importância que tem a verdade. Se o passado de Dilma não é definidor de suas escolhas presentes, então não precisa haver mentiras sobre a sua história.

- não, não queria democracia; queria ditadura comunista;

- não, não lutava "pela liberdade; lutava para implantar o socialismo;

- não, não foi presa por crime de opinião; foi presa porque pertencia a um grupo que praticou uma série de atentados, com várias mortes.

O fato de que se opunha a uma ditadura não quer dizer que fizesse as melhores escolhas. Nem tudo o que o que não era a ditadura militar prestava. Nem todos os métodos empregados para derrubá-la eram bons. Até porque a opção de muitas correntes da extrema esquerda pela luta armada antecede o golpe militar de 1964 e, evidentemente, o recrudescimento do regime, em 1968. Inventou-se a falácia, desmentida pelos fatos, de que não teria havido guerrilha e terrorismo sem a decretação do AI-5. Mentira. Mentira das mais grotescas.

Quem mente de forma tão descarada sobre o seu passado e o passado do país pode estar disposto a permanecer no terreno da mistificação também no presente. É evidente que Dilma e outros esquerdistas estão tentando magnificar uma coisa sem importância - o emprego da tal palavra "ditabranda" - para tentar, vamos dizer, "enquadrar" a Folha de S. Paulo. É uma regra de ouro da política e dos políticos de esquerda: "saia gritando que este e aquele veículos discriminam o candidato e o partido, e eles tenderão a fazer alguma forma de compensação":

a) moderar na crítica;

b) bater também no adversário daquele que bota a boca no trombone para evidenciar imparcialidade;

c) deixar de lado o assunto que gerou a polêmica.

Sabem o que é pior? Isso costuma funcionar. O PT já percebeu. E age de modo preventivo. Assim que uma reportagem que não é de seu agrado é publicada, imediatamente se lança no ar a suspeita de uma conspiração. Um exército treinado passa a patrulhar o ombudsman. O trabalho, hoje em dia, é facilitado pela canalha oficialista na Internet, gente que escreve descaradamente a soldo. Até funcionário capacho da Lula News entra na jogada.

O Brasil tem hoje 180 milhões de habitantes. Cuba tem 11 milhões. Ao longo de 21 anos de ditadura, as próprias esquerdas admitem que morreram, no Brasil, no máximo, 424 pessoas - e os números são, diria, alargados: estão aí os guerrilheiros do Araguaia, os que morreram nas cidades com armas na mão e até alguns desaparecidos em razão de causas supostamente políticas, sem comprovação no entanto. Tudo bem: tomemos o número pelo teto. Em Cuba, que tem 1/16 da população do Brasil, o regime dos Castros fez 100 mil mortos. Como não dá para saber exatamente qual era a população de cada país no momento das mortes, faço as contas segundo os números atuais: no Brasil, morreu 0,23 pessoa por grupo de 100 mil habitantes. Na Cuba de Fidel, há 909 cadáveres por grupo de 100 mil. Sabem o que isso significa? Que o Coma Andante e o anão de circo que o sucedeu são 3.951 vezes mais assassinos do que os ditadores brasileiros. Se quiserem considerar os quase 2 milhões de cubanos no exílio, ok. Aí a dupla é apenas 3.342 vezes mais homicida dos que os nossos brutamontes. "Ah, mas a nossa ditadura durou 21 anos, e a de Cuba, já tem 50". É verdade. A média de mortes, por ano de ditadura, no Brasil, seria de 20,1 pessoas; na ilha, de 2 mil.

Sem esses números não dá para discutir nem ditabranda nem ditadura. Sem esses números, o que sobra é mistificação. Dilma Rousseff diga o que quiser. Só não pode fazer de conta que sempre foi uma amante da democracia. Dado o comportamento do Brasil em relação ao regime cubano, essa gente não entende o paradigma democrático nem hoje em dia.

E
já que a gente tem de dizer tudo sem medo de aborrecer, então vamos lá. Se a VAR-Palmares, de Dilma Rousseff, tivesse chegado ao poder, vocês acham que os mortos estariam mais para os 424 da ditadura brasileira ou para os 100 mil da cubana? Sempre lembrando que, na mesma proporção da ilha, os mortos brasileiros, sob o regime dos comunas, poderiam chegar a 1,5 milhão de pessoas. É matemática, não é ideologia.


"Ah, mas não dá para contar a história que não houve". Ok. Fiquemos, então, com a que houve. Os ditadores cubanos são 3.951 vezes mais homicidas do que os ditadores brasileiros. As esquerdas e o governo brasileiro, de que Dilma é a grande estrela, incensam os cubanos e detestam os brasileiros.

Para essa gente, o matar menos faz os bandidos; o matar muito faz os heróis.

PS: A canalha pode rosnar à vontade. Ou contesta a matemática dos homicídios ou vá para o diabo. Sempre lembrando que qualquer morte nos diminui. Sendo assim, 424 mortes nos diminuem 424 vezes. Cem mil mortes nos diminuem 100 mil vezes.

Por Reinaldo Azevedo