Alerta aos educadores: onde está a educação cívica de nossas crianças

 Estamos ensinando nossas crianças a conhecer e valorizar o Brasil?

Há um alerta que precisa ser feito aos educadores brasileiros.
Estamos formando uma geração preparada para pensar por si mesma, compreender a democracia e colocar os interesses do Brasil acima das disputas partidárias?
Essa pergunta se torna cada vez mais necessária em uma época em que crianças, adolescentes e jovens estão permanentemente expostos às redes sociais, nas quais opiniões, informações, desinformações e discursos políticos chegam a eles em uma velocidade que a escola muitas vezes não consegue acompanhar.

O problema não é o jovem ter uma posição política. Ao contrário: uma democracia precisa de cidadãos interessados em política, capazes de escolher seus representantes e defender suas convicções. 

O problema começa quando a identidade partidária passa a ocupar o lugar do pensamento crítico.
Quando a pessoa deixa de perguntar se uma informação é verdadeira porque ela foi publicada pelo seu grupo político.
Quando passa a aceitar qualquer coisa porque veio de alguém em quem confia.
Quando considera inimigo aquele que pensa diferente.
Quando passa a acreditar que, se o seu candidato ou partido não venceu, o país também não pode dar certo.

É o perigoso princípio do “se eu não ganho, você também não ganha”.
E isso não é democracia. Precisamos ensinar nossos jovens a pensar!
Uma criança não nasce sabendo o que é democracia. Ela precisa aprender.
Precisa compreender que democracia não é simplesmente votar.
Precisa aprender que existem instituições, Constituição, leis, direitos e deveres.
Precisa entender que o resultado de uma eleição não significa que metade dos brasileiros deixou de ter direitos.
Precisa compreender que o adversário político continua sendo um cidadão.
E precisa aprender uma coisa fundamental:
uma eleição termina quando o voto é contado, mas a democracia continua depois dela.
É justamente aí que a educação tem uma responsabilidade enorme.

Nossos jovens precisam aprender a distinguir fato de opinião, informação de propaganda, crítica de ataque e divergência política de ameaça à própria democracia.
Precisam aprender a perguntar:
Quem está dizendo isso? Qual é a fonte? Existe prova? Há outra versão dos fatos? Estou concordando porque examinei a informação ou simplesmente porque ela confirma aquilo que eu já queria acreditar?
Essa capacidade é muito mais importante do que ensinar um jovem a repetir a opinião de qualquer grupo político.

Patriotismo não é partidarismo

É nesse ponto que precisamos recuperar também o verdadeiro significado do patriotismo.
Patriotismo não é ser de direita.
Não é ser de esquerda.
Não é defender Lula.
Não é defender Bolsonaro.
Não é defender qualquer outro político.

Patriotismo é compreender que o Brasil é maior do que todos eles.
A bandeira brasileira não pertence a um partido.
O Hino Nacional não pertence a um presidente.
A Constituição não pertence a uma ideologia.
O território, a soberania e as instituições brasileiras pertencem à nação.
E é justamente por isso que uma educação cívica não deve ensinar crianças a obedecer a governos. Deve ensinar crianças a compreender o país e a ter condições de avaliar criticamente qualquer governo.

Onde está a educação cívica?

É importante deixar claro: não é correto dizer que a legislação brasileira tenha eliminado a educação relacionada aos símbolos nacionais.
A Lei nº 5.700/1971 determina o ensino do desenho e do significado da Bandeira Nacional, assim como o canto e a interpretação do Hino Nacional. A legislação também estabelece a execução semanal do Hino Nacional nas escolas de ensino fundamental.
Portanto, existe uma obrigação legal.

Precisamos fazer uma pergunta muito mais profunda:
Isso está sendo efetivamente vivido e compreendido pelos nossos estudantes?
Porque não basta uma criança cantar um hino sem saber o que está cantando.
Não basta conhecer as cores da bandeira sem conhecer sua história e seu significado.
Não basta decorar o nome dos três Poderes sem compreender por que eles existem.
Não basta ouvir falar em democracia sem entender que ela pressupõe liberdade, responsabilidade, respeito às regras e convivência com o contraditório.

Educação cívica não pode ser apenas uma cerimônia. Precisa ser formação.
A soberania de um país também precisa ser ensinada
Há outro conceito que merece voltar com força às salas de aula: soberania nacional.
Uma criança e, principalmente, um adolescente precisam compreender que um país soberano deve ter condições de tomar suas próprias decisões.
Isso não significa isolamento.

O Brasil precisa manter relações diplomáticas, comerciais, culturais e políticas com outros países. Mas relações internacionais não devem significar abrir mão da capacidade de decidir sobre os próprios interesses.
E esse conceito precisa ser ensinado sem transformar nenhum outro país em inimigo.
Precisamos formar brasileiros capazes de compreender que defender os interesses do Brasil não significa ser contra os Estados Unidos, contra a China, contra a Europa ou contra qualquer outra nação.
Significa simplesmente reconhecer que o Brasil também tem seus próprios interesses.

O Brasil não pode ser colocado como prêmio de uma guerra partidária!
Talvez este seja um dos pontos mais preocupantes da nossa realidade política recente.
Temos visto, inclusive nos últimos anos, conflitos políticos nos quais a disputa pelo poder ultrapassou a simples competição eleitoral e passou a envolver questionamentos sobre instituições, resultados eleitorais e a própria estabilidade democrática.
Esses episódios precisam ser estudados pelos jovens sem doutrinação partidária e sem esconder os fatos.

O estudante deve conhecer o que aconteceu, quais foram as posições defendidas por cada lado, quais instituições foram envolvidas e quais foram as consequências.
Mas precisa aprender a analisar tudo isso com a mesma régua:
O que protege a democracia? O que respeita a Constituição? O que preserva a soberania brasileira? O que coloca os interesses permanentes do país acima dos interesses de um grupo político? Esse é o tipo de discernimento que uma educação cívica deveria produzir.
Não podemos formar torcedores políticos
O Brasil não precisa de uma geração que saiba repetir slogans políticos.

Precisa de uma geração que saiba pensar.
Precisamos de jovens capazes de votar em quem quiserem, mas que saibam explicar por que fizeram aquela escolha.
Jovens que possam mudar de opinião quando novos fatos aparecerem.
Jovens que consigam reconhecer um erro cometido pelo próprio grupo político.
Jovens que sejam capazes de dizer:
“Eu votei nesse candidato, mas não concordo com tudo o que ele faz.”
E também:
“Eu não votei naquele candidato, mas reconheço quando ele toma uma decisão correta para o Brasil.”
Isso é maturidade democrática.
É muito diferente da lógica do “meu lado está sempre certo e o outro lado está sempre errado”.

Um apelo aos educadores!

É por isso que este texto é um alerta. 
Não para que professores ensinem às crianças em quem votar.
Não para que defendam um partido.
Não para que transformem a sala de aula em palanque.
É justamente o contrário.
O apelo é para que a escola forme cidadãos suficientemente preparados para não serem manipulados por nenhum partido, nenhum político, nenhum influenciador e nenhuma rede social.
Ensinem história.
Ensinem Constituição.
Ensinem democracia.
Ensinem soberania.
Ensinem direitos e deveres.
Ensinem os símbolos nacionais.
Ensinem os hinos e seus significados.
Ensinem o funcionamento das instituições.
Ensinem a verificar uma informação antes de compartilhá-la.
Ensinem a ouvir quem pensa diferente.
Ensinem que o adversário político não é automaticamente um inimigo.
E, principalmente, ensinem que o Brasil está acima das nossas paixões políticas.
Porque governos passam.
Presidentes passam.
Partidos passam.
Ideologias mudam.
Mas o Brasil permanece.
E uma democracia só será verdadeiramente forte quando tiver cidadãos capazes de defendê-la não porque alguém mandou, mas porque compreendem seu valor.
Precisamos de uma geração que saiba escolher.
Que saiba questionar.
Que saiba discordar.
Que saiba reconhecer seus próprios erros.
E que compreenda que, quando o seu partido perde uma eleição, o Brasil não perdeu.
Da mesma forma, quando o seu partido vence, o Brasil não se tornou propriedade dele.
Essa consciência precisa começar muito cedo.
Porque a Pátria não pertence à esquerda.
Não pertence à direita.
Não pertence a Lula.
Não pertence a Bolsonaro.

O Brasil pertence aos brasileiros.

E ensinar nossas crianças a compreender isso talvez seja uma das mais importantes tarefas que podemos entregar aos educadores de hoje.

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